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Mióóóóólos!!

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E aí???? Eu comia…..e deixava ser comido!!! Vem ni mim Alice!!

Ahhh…..a zoologia, seus romantismos e relações amorosas.

Quem acredita que Deus criou tudo mesmo, acho que nem imagina a quantidade de modelos de fodelança que existem por aí, provavelmente Ele deve ser um cara bem cabeça aberta….oh wait!!

Por sorte o artigo que apresentarei hoje tem várias características dentro do escopo do Curiozoo: autores brasileiros e/ou residentes no Brasil, assunto curioso e novidade (esse saiu em novembro de 2012).

Sexo com defuntos!! Só de pensar nisso já vomito…e assim como um cachorro, como tudo de volta.

Não acredito!! Esse Lama vai falar de necrofilia nesse blog doente dele??

Sim, gente!! Falarei sobre necrofilia – o nome viado para sexo com defuntos – e melhor, necrofilia em SAPOS!! Pelo menos os malditos sapos sendo animais pecilotérmicos, muito provavelmente, não se importam de seu parceiro estar meio frio na hora H.

O artigo em questão é genial e se intitula lindamente: “Functional necrophilia: a profitable anuran reproductive strategy?” (clica aí pra baixá-lo…é open access).

Mas calma…antes comecemos falando um pouco sobre uma estratégia reprodutiva relativamente comum entre anfíbios anuros (sapos, pererecas e seus amiguinhos): a reprodução explosiva!!

Acalmem-se que não tem nada de sapo estourando, vísceras e fezes voando pra todo lado ou qualquer merda do tipo, não!!

Dentre os vertebrados terrestres, Lissamphibia (nome técnico para o grupo que compreende todas as formas viventes de anfíbios, a saber: salamandras, sapos e cecílias – esses últimos uns bichos muito loucos serpentiformes [googlem aí]) talvez seja o táxon onde existe a maior diversidade de formas reprodutivas. Tem sapo que incuba girino no tecido epitelial das costas, que engole ovos e deixa os girinos se desenvolverem dentro do estômago, que domina bromélias como berçário particular, que dominam poças no meio da mata e as defende com unhas e dentes (tipo banheira do Gugu) e zilhares de outros exemplos.

Agora vamos nos imaginar num ambiente inóspito, espetacular e com estações seca e úmida intensamente definidas como a maravilhosa Caatinga, por exemplo (você como brasileiro deve AMAR a caatinga…sim, isso é uma ordem!! É um bioma espetacular e endêmico da Ilha de Vera Cruz, aprendam a conhecer e apaixonar-se por nossas coisas, p@#%$!!! É o primeiro passo para querer preservá-las).

Em locais como esses geralmente ocorre esse tipo de reprodução espetacular em anuros.

Resumindo (amigos herpetólogos ajudem, complementem ou não):

Imagine vc sendo um sapo morando num lugar escroto desses (AMEM o lugar escroto!!). SEIS meses sem chuva e você é um maldito sapo. Muito dependente de água pra reprodução já que seu ridículo ovo não é amniótico. A vida é dura! Aí num belo dia chove pra cacete!! It’s the frog heaven, baby!!

Algumas espécies vêem a chuva e a formação de poças temporárias como uma oportunidade de ouro para garantir genes nas próximas gerações e é nessa hora que acontece um dos espetáculos mais maravilhosos da natureza…ORGIA DE SAPOS! Também geralmente, as espécies que se reproduzem explosivamente têm uma interessante proporção de machos vs. fêmeas….algo como os cursos de engenharia da Poli-USP: 3846 machos para cada fêmea, imaginem isso no mato!

Sapos machos atraem fêmeas por vocalizações características…e num comportamento explosivo TODOS os machos da população resolvem cantar ao mesmo tempo…é um barulho muitas vezes ensurdecedor, de você não conseguir conversar com outra pessoa do seu lado! Além disso quando os machos encontram uma fêmea eles imediatamente entram em amplexo e não soltam “nunca mais”, a não ser pra dar umas porradas nos outros que queiram tirar uma casquinha.

Agora imaginem uma festa na Poli-USP: 3846 machos em cima de uma fêmea…todos tentando entrar em amplexo e dar porrada nos outros. São descritas “bolas” de reprodução com dezenas de indivíduos, 99,99% deles machos…e uma coitada ali no meio sendo estuprada loucamente!

Eu já tive a oportunidade de ver isso no mato e digo, é um espetáculo mesmo. Foi na Amazônia, na margem direita do Rio Teles Pires e a espécie que vi era arborícola (vive em árvores). O frenesi de barulho era tanto que a uns 500 metros do foco reprodutivo eu pensei estar ouvindo um bando de papagaios de vocalização até então desconhecida para mim. Quando cheguei lá, tinha uma porrada de sapo, um atrás do outro se comendo loucamente – fiquei chocado, sim…um nerd ver uma orgia ao vivo, mesmo de sapos, é algo chocante. Obviamente peguei um para o herpetólogo que estava no campo junto comigo e o filho da puta (o sapo, não o herpetólogo) tentou entrar em amplexo com a minha mão…foi uma sensação meio bizarra tentar ser estuprado na mão por um sapo idiota! Me senti sujo e usado!

Tudo isso pra introduzir o assunto genial do artigo hein!? Vamo lá!

Muitas vezes, nessas bolas reprodutivas, a quantidade de machos é tão grande que a fêmea acaba morrendo afogada dentro da poça o que é ruim para a maioria das espécies com reprodução explosiva (fêmea morta=sem bebês)…mas não para a espécie amazônica Rhinella proboscidea que possui necrofilia funcional e evolutivamente se beneficiou desse método sexual bizarro.

Esqueçam o que vocês tem na cabeça sobre uma relação sexual clássica quando pensarem em sapos. Anfíbios anuros não possuem órgão reprodutivo intromitente nos machos (tradução: sapo não tem pau!). A fecundação ocorre externamente entre os oócitos femininos e espermatozóides masculinos, geralmente no momento do amplexo. Não sei de cabeça se existem variações sobre isso…tratando-se de anfíbios talvez elas existam, portanto herpetólogos que quiserem complementar algo, o espaço está aberto!

No presente trabalho foram feitas várias observações de fêmeas mortas em lugares que ocorreram batalhas sexuais explosivas e 100% dos animais coletados e dissecados (n=15) não possuíam oócitos dentro das cavidades abdominais. Pelo menos cinco eventos necrofílicos foram observados em campo, onde machos em amplexo inguinal com fêmeas mortas pressionavam o abdome de suas zombie queens, fazendo com que oócitos fossem expelidos pelo corpo frio e sem vida, mas gostoso, de suas amantes.

Como nessa espécie a fecundação é externa e os oócitos são expelidos em forma de cordão gelatinoso, tal evento é facilitado. Quatro desovas de fêmeas mortas bolinadas por machos safados foram levadas ao laboratório, onde se confirmou que ocorreram fertilizações, ou seja, comer as defuntas vale a pena!!

Os autores discutem que isso configura uma vantagem evolutiva, já que a competição macho-macho nessas explosões reprodutivas é tamanha e tão exaustiva, que muito provavelmente eles não conseguiriam batalhar por fêmeas vivas no mesmo evento após a morte da primeira opção, inclusive reportam que observaram fêmeas sobreviventes ao frenesi, mas que não existe a certeza se as mesmas sobrevivem para um sexo tão selvagem mais uma vez. Kinky nature.

Isso é lindo, é curioso, é zoologia e alguém deve mandar esse paper pro Feliciano!!!

Todos os 5 autores do trabalho estão fixados em instituições brasileiras: INPA, UFMT e UFAM. E com isso eles reportam o primeiro caso de necrofilia em anfíbios com confirmação de sucesso fecundativo.

Meus sinceros e empolgados parabéns a todos os envolvidos!!

Zoologia é f@#$!

Para saber mais sobre fodelança e eventos sociais de anuros: AQUI

Alice zumbi gostosa DAQUI